Há Liberdade No Perdão
Sermão/mensagem: 10 de Setembro de 1999.
ICM Monterrey, Pastor: David Pettitt
Primeira Leitura: Romanos 14:1-12
Leitura do Evangelho: Mateus 18:21-35
Nesta quarta-feira, quando o relógio bater às 11 da noite, poderás ouvir os sinos da liberdade soando em todo o México. Neste ano, o Presidente Zedillo estará em Dolores Hidalgo, Guanajuato, onde o documento da Independência foi assinado originalmente em 1810.
Junto com os governantes de cada estado ele lembrará aos cidadãos a liberdade conquistada, tocando os sinos nos palácios de cada capital do Estado, além dos prefeitos em todos as prefeituras de outras cidades. Não há dúvida que este dia de celebração constitui-se no dia mais importante do ano aqui no México.
Os dois homens que deram início a esta oportunidade de liberdade no México, foram padres católicos. Miguel Hidalgo e Costilla organizaram as pessoas a fim de lutarem pela sua liberdade e direitos. Como pai da Independência, ele levou às pessoas um nível de conscientização. Ele substitui a ignorância pela informação e deu às pessoas ESPERANÇA.
Outro padre, José Maria Morelos y Pavon - escreveu a primeira constituição, Sentimentos da Nação. E ainda, a liberdade tem o seu preço...Eventualmente, ambos pagaram o preço mais elevado pelo que acreditavam...Ambos deram as suas vidas para que outros pudessem desfrutar da liberdade individual.
E havia outros que lutaram pela liberdade...Fray Servando (Padre Mier), Clavijero e Tata Vasco, todos membros da ordem religiosa...cada um tinha um sonho...cada um representou o papel maior de ajudar a ser livres a seus irmãos e irmãs...e cada um contribuiu para realizar uma transformação significativa em nossa sociedade.
Ao longo de toda a história, todas as mudanças sociais foram primeiro iniciadas pelas igrejas. E a nossa igreja não é diferente. Na última semana, havia mencionado que Troy Perry começou o nosso programa de associação 9 meses antes da Rebelião de Stonewall em Nova York.
Stonewall pode ser o evento que deu início ao movimento gay mas o fato é que ICM e Troy Perry organizaram e conduziram as primeiras marchas à medida que protestaram contra a injustiça nas regras de emprego e ainda as leis locais e dos estados... eventualmente colocando à prova a legislação federal.
A carta de Paulo aos Romanos e a leitura do Evangelho desta noite, ambas vão diretamente ao coração, nos ajudando a entender uma forma de liberdade. Paulo escreveu no versículo 10, Porque ficas julgando teu irmão e irmã? Porque despreza teu irmão e irmã? Todos nós teremos que nos apresentarmos diante de Deus para que nos julgue.
Numa mensagem semelhante, Jesus falou numa parábola sobre o "Servidor que não sabia perdoar". O exemplo que ele utilizou foi sobre um servidor a quem havia sido perdoado uma dúvida incrível. E assim mesmo a primeira coisa que esta pessoa fez depois, foi cobrar uma dívida que lhe era devida por um amigo.
Tudo isto é sobre justiça...tratar os outros com justiça começa por não julgar as suas ações individuais... o modo como alguém pensa ou o que eles fazem...tampouco tratar os outros com injustiça quando somos tratados com justiça.
Não julgar os outros é um dos sentimentos mais libertadores que jamais pude experimentar! Isto não veio de maneira fácil para mim... de fato, muitas vezes me vejo voltando a este tipo de comportamento.
- Isto exige um trabalho enorme...
- Muita paciência ...
- Um montão de orações bem intensas...
- E, mais do que nada, isto exige muito perdão.
Porém, no final, será possivel experimentar a liberdade! Tudo lhe é possível se tiver fé em Deus - Marcos 9:23.
Quando estava aprendendo a dirigir automóvel, o meu pai me pediu para que não me concentrasse na rua que havia em frente ao carro. Meu pai disse: Olhe o caminho...veja dentro de uma perspectiva maior. Isto é basicamente o que o apóstolo Paulo estava dizendo à igreja em Roma, na sua carta que lemos hoje. Ele estava lhes pedindo em exortação a concentrarem-se em seus olhos espirituais pois assim poderiam ver tudo em uma perspectiva maior.
Os membros da igreja em Roma [como na maiorias das igrejas] eram pessoas muito diversas dividas em grupos comprometidos. As pessoas discutiam suas opiniões pessoais...quando, como e quais são os dias em que celebravam...elas discutiam o que as pessoas deviam ou não comer...prevalescia um clima de hostilidade e de julgamento.
Paulo estava sugerindo para que levantassem os seus olhos...que extendessem a sua visão para além dos seus desacordos sobre como nós vivemos e até mesmo como adorar a Deus. Paulo pode ter escrito esta carta a muitas igrejas...incluindo a nossa. Aceitar a diversidade junto a cada família...a qualquer grupo [incluindo a igreja] não é sempre fácil.
A carta de Paulo é um excelente guia que nos ajuda a nos entendermos, aceitarmos e apreciarmos uns aos outros. A nossa visão espiritual estreita pode corroer nosso espírito...esta pode debilitar nossas crenças ou nossa possibilidade para que sejamos discípulos efetivos...No fim, isto pode minar a nossa missão pessoal assim como as nossas visões como igreja.
O conselho dado por Paulo a cada um de nós para que ampliássemos a nossa visão (ou adotássemos uma visão maior), foi no sentido de que nos ajudasse a percerber que, apesar de não pensarmos e não agirmos da mesma forma, todos nós buscamos adorar e servir o mesmo Jesus Cristo. Este foi o ponto central levantado por Paulo - é aí que nós todos deitamos as nossas raízes e nos encontramos todos ligados a Deus. Nada...Absolutamente nada, nesta vida, haverá de nos afastar deste fato.
Paulo assinala que as discussões (que se geraram por uma atitude cheia de julgamento) poderiam ameaçar e desfazer as suas comunidades - uma comunidade construída com muito esforço. Queria ajudá-los a ver o insignificante que constituía este compartamento em contraste com a grande visão de manter Jesus como o centro de suas vidas. O que a Paulo interessava é que esses conselhos nos fossem úteis hoje.
No Evangelho desta noite, ouviremos Pedro que colocou o Rabi à prova...Ele queria saber o número exato de vezes em que devemos perdoar alguém. Sete vezes são suficientes?, havia perguntado Pedro. Quase podia-se ouvir Jesus pensar, "Ele realmente não havia entendido isso."
Realmente, não creio que Jesus estava oferecendo uma fórmula matemática... mas antes Ele estava tratando de fazer com Pedro percebesse que ele não deveria estar contando. Depois de tudo, se devemos contá-las, estaremos realmente perdoando alguém? Perdoar significa não apenas estar de acordo ao perdoar as faltas de alguém senão tirar também o assunto, fora de nossas mentes.
Se contarmos, estaremos realmente sustentando alguma forma de suspeita face a outra pessoa. Para perdoar verdadeiramente, implica em reestabelecer uma nova relação de confiança. Isto significa estarmos completamente abertos e vulneráveis aos outros que nos tenha ferido (ou decepcionado) no passado.
Nos versículos trinta e quatro e trinta e cinco da leitura do Evangelho, ouvimos o Rei demonstrar misericórdia para alguém que lhe devia uma grande soma de dinheiro. Tão grande era essa que lhe teria sido impossível acertar a dívida enquanto vivesse.
O rei havia ficado furioso quando descobriu que este indivíduo não havia mostrado a mesma misericórdia a alguém que lhe devia. Jesus nos propôs que agíssemos com misericórdia e compaixão, não porque estaríamos nos beneficiando mais junto a Deus...Mas devemos fazê-lo como resposta ínfima à graça e à misericórdia pela qual Deus derramou em cada um de nós.
Jesus nos ensinou isso na Oração Ao Senhor... conforme rezamos, "Perdoe as nossas ofensas assim como também perdoamos a que nos tenham ofendido. Aqui está realmente a libertação ao perdoar! A não ser que tivermos poder e desejo de perdoar aos outros, não poderemos esperar o perdão de Deus.
Neste Dia da Independência, tente realmente de perdoar alguém que lhe seja difícil de OU quase impossível de perdoar. Ofereça a si próprio o presente da liberdade.
Gostaria de finalizar com as palavras de Benito Juarez que foram escritas no lobby do Congresso Estadual, aqui em Monterrey: "Entre los individuos como entre las naciones, el respeto al derecho ajeno es la paz. (Entre os indivíduos assim como entre as nações, o respeito ao direito alheio é a paz.)"
O autor deste presente material é o Rev. David Pettitt, pastor do ICM, Monterrey, México.